Depoimento de Zetti ao colunista Paulo Stramaro da Campanha Renova Mito
"O São Paulo em 92 tinha um time muito bem montado. Nosso objetivo sempre era buscar um bom resultado fora de casa. Mesmo com a derrota por 1 a 0 para o Newell's Old Boys, na Argentina, a gente sabia que conseguiria reverter dentro de casa. A maneira que o time jogava nos deu uma confiança muito grande quando tomamos o gol. Apesar de ter sofrido o gol, a equipe em nenhum momento jogou mal.
A gente sabia que o resultado favorável viria de qualquer maneira no Morumbi. O Muller era um dos jogadores mais importantes que nós tínhamos. Era um jogador decisivo. Mas naquele jogo (segundo da final) não estava bem. Então o Telê o tirou quando ainda estava 0 a 0 e colocou o Macedo.
Quando o Macedo entrou, na hora começamos a ouvir vaias da torcida. Mas não sabíamos direito para quem era. O importante é que o Macedo entrou e sofreu o pênalti que o Raí converteu e empatou a decisão.
Durante o jogo, sofremos uma bola na trave quando a partida ainda estava 0 a 0. Mas o time era experiente, tínhamos passado por duas decisões recentes: o Paulista e o Brasileirão. A confiança que a gente tinha naquele elenco fez com que aquele lance não nos abalasse.
Eu estava preparado para as penalidades. O Valdir Joaquim de Moraes (preparador de goleiros) tinha observado o Newell’s na semifinal, quando eles decidiram nos pênaltis contra o América de Cali.
O Valdir anotou o número dos jogadores, a lista de quem ia bater os pênaltis e como cada um cobrava. Durante as penalidades, o Alexandre (goleiro reserva) ficava no meio de campo e me passavas as informações.
Naquela época, não tínhamos muitos recursos tecnológicos para observar o adversário. Nós apenas confiávamos no Valdir, que fazia todas as análises para o Telê Santana. Aquilo acabou sendo decisivo para a gente. Eu tive a felicidade de ir para o canto combinado e fazer a defesa do chute do Gamboa.
Na hora das cobranças, a torcida gritava meu nome. É um negócio maluco de lembrar. Não tem explicação. Eram 120 mil pessoas gritando meu nome. Eu confesso que apaguei. Eu só ficava pensando: ‘o atacante não pode me enganar. Ele vai tentar me jogar para um canto e bater no outro’.
Quando eu fiz a defesa, que eu senti que dominei a bola foi uma explosão no Morumbi. Aconteceu uma invasão total no campo. Eu nem conseguia chegar ao meio de campo para buscar a medalha. Foi uma loucura mesmo.
Eu acompanhei aquela invasão do alto. Depois dos pênaltis, um torcedor me levantou no meio da comemoração e eu não consegui descer naquela multidão. Foi muito bacana.
Até hoje as pessoas me agradecem pelas defesas. Eu fico contente por ter feito uma nação feliz. Quando você está jogando, você procura vencer sempre para deixar o torcedor.”
(Depoimento de Zetti à nossa página parceira https://www.facebook.com/




























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