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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Por que sim, por que não

Morumbi deve sediar jogos da Copa do Mundo de 2014?

Entenda razões para o estádio do São Paulo receber ou não as partidas do Mundial

A polêmica sobre o Morumbi receber ou não jogos da Copa do Mundo de 2014 - especialmente a partida de abertura - tornou-se a principal discussão sobre o Mundial que o Brasil vai sediar. O projeto de reforma do estádio foi elogiado pelo secretário-geral da Fifa em março deste ano, dando a entender que a questão estava resolvida. Contudo, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, negou que as alterações apresentadas atendam as exigências.


A 1.524 dias do início da competição, as pretensões do Morumbi de sediar jogos da Copa ainda geram controvérsia. O R7 elencou cinco motivos para o estádio do São Paulo receber ou não partidas do Mundial de 2014, no Brasil.
 
Por que sim:
 
1) Palco de decisões


Apesar do charme e da modernidade dos projetos das novas arenas que serão erguidas para a Copa de 2014, o Morumbi ganha no aspecto "história para contar". O estádio sempre foi o principal palco de finais do Campeonato Paulista (mesmo sem o São Paulo na briga) e recebeu diversas decisões da Copa Libertadores envolvendo equipes brasileiras (além dos jogos do São Paulo, ali brigaram pelo título Corinthians, Palmeiras, Santos e São Caetano). Escolher o Morumbi como um dos locais de jogos, onde já brilharam craques como Cafu, Careca, Falcão e Serginho Chulapa ajuda a criar um clima de saudosismo e reverência aos grandes ídolos do passado.

2) Motivação para os craques

Dois dos principais astros da seleção brasileira, Kaká e Luis Fabiano, despontaram para o futebol mundial no gramado do Morumbi. Voltar às origens servirá como estímulo para que estes craques continuem em alto nível até 2014. Outros jogadores que fizeram ou farão história nesse campo também vão se sentir em casa.

3) Falta de opções

Além do Morumbi, a capital paulista não tem estádios de grandes capacidade para receber jogos da Copa do Mundo, especialmente uma cerimônia de abertura. Nos últimos Mundiais, a Fifa optou por fazer o jogo inaugural da competição em arenas espaçosas (Stade de France-1998, com 80 mil lugares; Sang-am-2002, com 70 mil; e Allianz Arena-2006, com 66 mil). A construção de uma arena com proporção capaz de agradar à entidade máxima do futebol vai criar disputas dos clubes para utilizarem a obra após o torneio. Entretanto, a experiência do Engenhão, no Rio, não foi tão otimista: o governo assumiu os custos e demorou a definir quem "herdaria" o estádio. O Botafogo ganhou a disputa, mas convive com dificuldades para pagar a manutenção, o que pode se repetir em São Paulo.

4) Infraestrutura da cidade

Algo que pesa em favor do Morumbi é a capacidade da capital paulista de receber visitantes. A rede hoteleira é enorme em comparação com outros locais que vão sediar o evento. Os dois aeroportos (Congonhas e Guarulhos) facilitam a chegada e saída de torcedores e delegações, algo que precisará ser revisto em outras cidades. O transporte urbano será o principal desafio, mas obras do metrô que estão em andamento devem solucionar as exigências da Fifa - só não devem resolver o trânsito caótico que incomoda a população.

5) Público de sobra

Uma das preocupações da Fifa no decorrer da competição sempre é a presença maciça de torcedores nos estádios. Foi assim recentemente na Copa das Confederações de 2009 e será no Mundial de 2010. A capital paulista, com 11 milhões de habitantes, certamente não sofrerá com falta de público, o que pode acontecer em outras cidades do país - afinal, não é todo mundo que topará pagar caro por ingressos para ver seleções de pouca expressão.

Por que não:


1) Lavou, não está novo


Nas últimas três Copas, estádios 100% novos sediaram a cerimônia de abertura. O Stade de France, na França, foi inaugurado em janeiro de 1998 (mesmo ano do Mundial). Sang-am, na Coreia do Sul, abriu os portões em dezembro de 2001, ano anterior ao Mundial. Já o Allianz Arena, na Alemanha, ficou pronto 12 meses antes da primeira partida da Copa-2006. Mesmo que o Morumbi seja totalmente reformulado, ainda deve enfrentar resistência de membros da Fifa, que deram prioridade a arenas recém inauguradas e totalmente adequadas aos padrões da entidade.

2) Disputa política

O secretário-geral de Fifa, Jerôme Valcke, criticou diversas vezes o projeto de revitalização do Morumbi de 2009. Para o dirigente, o campo estava praticamente descartado para abrir o Mundial de 2014, apesar das constantes mudanças propostas pela direção do estádio. Repentinamente, na metade de março deste ano, Valcke disse que as alterações feitas atendiam totalmente às exigências, credenciando a arena para sediar a Copa. Na última semana, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, afirmou que as soluções apresentadas pelo São Paulo parecem "paliativas" e que as necessidades da Fifa são "muito superiores àquelas que estão sendo propostas" pelo clube paulista. O choque de interesses pode impedir que o estádio tricolor esteja na lista de arenas da Copa.

3) Mais força ao São Paulo

A escolha do Morumbi como um dos palcos da Copa vai reacender o debate sobre a construção do estádio, da década de 1950. O estádio foi erguido em uma região até então pouco habitada da capital paulista e teve ajuda governamental, o que gerou críticas dos rivais. Mesmo que investidores privados resolvam a questão do orçamento, um novo apoio político - o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que o Morumbi vai receber a Copa de 2014 e descartou plano B -, deve gerar desconfiança dos opositores.

4) Caro demais

Reformar o Morumbi vai consumir, segundo estimativas do São Paulo, R$ 290 milhões. A construção do Engenhão, no Rio de Janeiro, para os Jogos Pan-Americanos de 2007, foi orçada inicialmente em R$ 60 milhões, mas consumiu R$ 380 milhões. Se o estádio do Tricolor paulista imitar a arena carioca na imprecisão do valor total das obras, ficará mais caro revitalizá-lo do que erguer um estádio inteiramente novo, já adequado às exigências da Fifa.

5) Fica pronto 100% a tempo?

Com apenas quatro anos para viabilizar a reforma e concluí-la, possíveis problemas detectados só serão detectados em cima da hora (no Engenhão, ocorreu até falta de luz na inauguração). Apesar do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, ter acordos informais costurados com a iniciativa privada, as empresas ainda não confirmaram que ajudarão o clube a bancar a obra. Se depender somente da verba pública, o Tricolor pode empacar na limitação do orçamento e em atrasos com licitações. Portanto, a briga para que o Morumbi receba jogos da Copa de 2014 é também contra o relógio.

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